Mac OS X – Parte 1

Virei usuário de Mac há uns 6 meses. Antes disso, já tinha trabalhado em um eMac na Unicamp, mas não foi suficiente para ter uma opinião formada baseada em fundamentos reais de experiência própria, livre de deleites eufóricos precipitados.

Eu era usuário de Windows desde os meus 9 anos de idade, na época longínqua do Windows 3.1, quando ter um Pentium 100 era estar por cima da carne-seca. Mesmo depois do 3.1, do 95, do 98 e do XP eu nunca me senti usando um sistema bem planejado, inteligente e bonito; tudo no Windows sempre me pareceu mal acabado. Por tempos eu experimentei Linux (na Unicamp trabalhei em Linux por um tempo também) mas o resultado foi mais frustrante; ler 15 páginas espalhadas pela internet para conseguir fazer a DSL funcionar era completamente fora de cogitação.

E então veio o Mac OS X no meu relativamente novo Macbook. Com ele, a esperança de finalmente utilizar o sistema operacional que eu tanto procurava. E apesar de não ser perfeito, o Mac OS X chega bem perto disso. Nesse post vou falar dos pontos mais relevantes que põem o Mac OS X nesse pedestal e os defeitos ficam para outro dia.

Aparência e interface

Para chegar a uma interface boa você precisa ser perfeccionista e se perguntar sobre tudo que está acontecendo na tela. “Eu preciso mesmo deste botão aqui? Não há uma maneira mais fácil de obter o mesmo resultado? Será mesmo que os usuários vão querer essa feature?”. Depois de mexer e torcer o Mac OS X, dá para perceber porque o Steve Jobs tem a fama de ser implicante com todos os detalhes de seus projetos. Ao contrário do Windows, a interface é muito bem pensada; poucos botões, atalhos do teclado padronizados por todos os programas e objetividade.

A aparência, como um típico design da Apple, é bastante minimalista e isso é muito importante para um sistema operacional. O propósito de um SO é servir de base para outros programas realmente úteis rodarem (editores de texto, compiladores, browsers, etc). Dessa maneira, um SO precisa aparecer o mínimo possível, precisa ser discreto e, se possível, precisa nem existir para o usuário final. E é isso que a Microsoft não entende; ela quer que o Windows apareça como a parte mais importante do computador e insiste em tentar chamar a atenção do usuário a todo momento; seja com aquelas mensagens insuportáveis de atualizações de segurança ou tendo o azul royal, verde limão e laranja como as cores de sua interface. Computadores são úteis, legais, produtivos e essenciais pelos programas que eles rodam e ninguém liga para o SO. O que me leva para o segundo ponto:

Mac tem os melhores programas

A diferença dos programas de Windows que eu usava antes e os de Mac que eu uso agora é sempre a mesma: escopo. Programas de Windows tentam fazer tudo ao mesmo tempo e com raríssimas exceções, são um empilhado de features que são majoritariamente utilizadas por 1% dos usuários. Já os de Mac fazem bem menos, mas fazem bem e fazem rápido. Eles não são egoístas, egocêntricos ou megalomaníacos. Eles fazem o que você precisa, do jeito que voc&e quer e saem do caminho. Eles são seus servos e não o contrário (servos muito inteligentes, diga-se de passagem).

Para exemplificar: nos tempos de Windows, eu usei uns 10 editores de texto para programação (sem exageros em relação à quantidade). Era sempre a mesma coisa; eu usava um, achava que ia ficar feliz por bastante tempo com ele mas a lua-de-mel não durava uma semana. Daí depois de tanto tentar, você acaba escolhendo o menos pior antes que o assunto te faça perder a sanidade. No Mac, minha escolha para um editor de texto foi: li algumas pessoas falando bem do TextMate, comprei e me apaixonei. Ele é tudo que eu sempre quis; simples, direto, com features que realmente te ajudam a programar e com esquema de cores perfeitos. Ele nunca trava, nunca me enche com mensagens inúteis, tem atalhos maravilhosamente pensados e não cansa meus olhos depois de algumas horas de utilização.

Programas de Windows são inchados e transbordam a barreira da utilidade que as pessoas buscam.

Exposè

Simples, mas uma das coisas mais úteis que eu uso todo tempo. E o interessante é que a Microsoft assumiu copiar essa feature no Windows Vista mas conseguiu estragá-la. A idéia do Exposè é mostrar ao usuário todas as janelas abertas para que ele possa escolher para onde ir. No Windows Vista, as janelas aparecem em perspectiva e ficam uma em cima da outra; ou seja, só dá pra ver um pedaço do que você tem aberto. Tem coisas que só a Microsoft faz por você.

Por agora é isso. Se você vai comprar um computador novo, pense num Mac. Vale cada centavo.

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