São Paulo

Quinta-feira fui a São Paulo para me reunir com Bernardo Ajzenberg, coordenador executivo do Instituto Moreira Salles (e escritor). O objetivo era tratar de meu trabalho de conclusão de semestre, apresentado aqui na EC alguns dias atrás. Pude obter várias informações valiosas para o projeto e posso dizer que foi uma reunião breve porém produtiva.

São Paulo, por Juca Martins - 1997

Minha visita rendeu a descoberta dessa foto. Feita por Juca Martins em 1997, retrata São Paulo e foi exposta pelo IMS. Simplesmente perfeita.

Vincent Van Gogh - Banco de pedra no jardim do hospital de Sant-Paul

Aproveitei para visitar o MASP e ver Van Gogh, Cézane, Picasso, Delacroix, Renoir e Goya na exposição temporária “As 100 Maravilhas – Impressionismo e Referências“. De tirar o fôlego. Van Gogh, principalmente. O triste é ver a crise e o sucateamento que está acontecendo no museu, dono do melhor acervo da América Latina. O artigo “A Morte do Masp“, de Mario Cesar Carvalho, diz tudo (link para blog de Alessandra Ribeiro).

O Masp não recebeu nem um centavo de doadores privados neste ano. Talvez por isso sejam reveladoras as fotos em que Julio Neves, o presidente do museu, aparece sorrindo na inauguração da Daslu, cujo prédio foi projetado pelo arquiteto.
As fotos são reveladoras porque expõem cruamente o muro que separa os novos ricos do universo da arte: os que pagam R$ 4 mil por uma saia ou R$ 8 mil por um terno acham que não vale a pena dar um centavo para o Masp ou para qualquer outro museu.
(…)
A ascensão meteórica da Daslu e a morte lenta do Masp parecem fazer parte de um mesmo fenômeno: aquele em que a elite paulistana abandona completamente a esfera pública, o espaço de convívio com os diferentes, para se isolar em bunkers como o que abriga a Daslu.
(…)
Esse país parece ter acabado. Desde outubro de 1994, quando derrotou José Mindlin por um voto (22 a 21), Neves promove um processo de desmonte do Masp. Trocou o piso, aposentou os cavaletes de vidro e concreto, levantou paredes e criou uma sala VIP.

Também manifesto minha total indignação com a (tentativa de) construção da torre de 125 metros de Julio Neves em parceria com a Vivo. Vou fazer mais uma citação, agora do secretário de cultura de São Paulo, Carlos Augusto Calil:

Sou contra a torre seja ela feita por meio de concurso público ou pelo Niemeyer. Não é uma questão de belezura ou de lisura do negócio (…) Não é possível que entidades culturais inventem coisas para se sustentar. O Louvre vai ter o quê? Um shopping? O Masp é mais importante que a torre e tem condições de se sustentar sozinho

Mais informações sobre a torre faraônica nessa matéria da Folha, também de autoria de Mario Cesar Carvalho (é preciso ser assinante da UOL ou da Folha para acessar a matéria).

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